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Reconstituir uma história procurando articulá-la ao contexto sócio- cultural, não é uma empreitada fácil. E se o objetivo incide numa reunião de texto e imagem, as dificuldades inerentes à tarefa, são ainda maiores. Ainda que as fontes iconográficas sejam ricas e diretas, são porém lacunares, escondem estruturas mais gerais e não revelam momentos de transição e de grandes mudanças. O objetivo do lançamento da Exposição Virtual Trajes Matrimoniais, não é aderir a uma posição muito freqüente que recorre a imagens utilizadas muito mais para ocultar do que revelar. Pensa-se em escrever essa história utilizando-se de diversas fontes, ainda que a fotografia se afigure como o suporte fundamental à própria história do casamento. O século XIX esboçaria o tempo que gira em torno das relações entre o público e o privado, o coletivo e o individual, o masculino e o feminino, o ostensivo e o íntimo. Para Norbert Elias, a privatização dá um outro sentido , uma outra modernidade ao século XIX. Portanto, as maneiras de morar, de amar, de casar, se modificam. O cuidado com um corpo bem tratado, diversifica as aparências, fundamentalmente estabelece novas fronteiras entre o masculino e o feminino. A moda reflete essa aspiração feminina em torno de uma nova estética. Estas transformações atingem sobretudo o casamento. Como a mulher tornou-se símbolo da fragilidade, a escolha da roupa adequada para a cerimônia de casamento tornou-se um procedimento usual, que aos poucos atinge todas as camadas sociais. O vestido branco reflete a decência e honestidade feminina, própria da natureza do sexo, que passa a se preocupar ofensivamente com a virgindade. O casamento não se resume ao contrato civil, sendo indispensável um ato religioso. Este momento não pode ser negligenciado por nenhuma família, pois representa o grande dia, na vida da mulher. Os ritos que compõe a cerimônia do casamento, residem num conjunto de símbolos, como a troca de alianças, a indumentária da noiva e seus complementos. Os periódicos de moda sugerem os modelos, os quais variam com as posses das famílias. Entrar vestida de branco, representa o grande sonho feminino e, talvez, o mais belo da vida da mulher. |